VIANA, Nildo. Manifesto
Autogestionário.
Rio de Janeiro, Achiamé, 2008.
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Achiamé
Editora
Livraria Cultura
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Publicações
de Nildo Viana
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Sobre
o livro:
Texto da orelha:
A liberdade é um sonho humano que acompanha
os seres humanos. Não se trata de um sonho eterno e que sempre existiu,
pois a luta pela liberdade só surge quando há a falta de
liberdade. O surgimento da sociedades de classes marcam o nascimento da
exploração e dominação que enclausuram os seres
humanos em suas próprias criações sociais. Os seres
humanos criam Deuses, mercado, propriedade privada, Estado, igrejas, partidos
políticos, instituições, para suprimir sua própria
liberdade. Alguns se sentem à vontade na prisão social instaurada,
tal como a classe dominante e suas classes auxiliares. A emergência
da sociedade capitalista significa uma nova forma de prisão, escura
e asfixiante. A classe capitalista e a burocracia se sentem à vontade
nessa prisão, pois é dela que vem sua força e eles
assumem o papel de carrascos e carcereiros. Assim como uma prisão
traz doenças e destruição, o domínio do capital
traz graves problemas psíquicos, degradação ambiental,
entre diversos outros efeitos que marcam um capítulo nefasto na
história da humanidade, no qual nunca se produziu tantos bens materiais
e nunca se destruiu de forma tão avassaladora; nunca o desenvolvimento
tecnológico foi tão intenso e nunca seu uso foi tão
egoísta e limitado. O capitalismo é uma sociedade fundada na
exploração e dominação, cujo objetivo da produção
é o lucro e não a satisfação das necessidades
humanas. A dinâmica da acumulação capitalista mostra o
caráter destrutivo do capitalismo, sempre ávido em cada vez
mais acumular, sugando o sangue dos trabalhadores, esgotando as energias psíquicas
dos indivíduos, degradando o meio ambiente com um processo de extração
sem fim para a produção de bens supérfluos que geram
lucro e com o lixo que retorna para a natureza depois do uso dos produtos
descartáveis produzidos. Porém, isto tudo gera sua negação.
A negação do capitalismo é expressa no proletariado
e em outras classes exploradas e grupos oprimidos. A luta operária
promove um avanço no sentido da auto-organização e auto-formação,
preparando os trabalhadores para a revolução proletária
e a libertação humana das garras do capitalismo. A autogestão
das lutas é a prefiguração da autogestão social.
A utopia autogestionária é um sonho realizável, possível,
cuja possibilidade está dada, faltando apenas este processo de luta
para desencadear sua realização. Neste sentido, todos devem
lutar, em todos os lugares. Aqueles que entenderam a necessidade de uma transformação
radical da sociedade e que a autogestão social é a única
alternativa viável para a humanidade, é necessário
lutar. Esta luta é ampla e radical, tal como seu objetivo, no sentido
da liberdade. É, inclusive, uma luta contra si mesmo, contra a cultura,
valores, mentalidade, sentimentos, todos herdados da sociedade capitalista,
fundada na competição, mercantilização, burocratização.
Assim, o que importa não é o que o indivíduo faz de
si e sim o que faz daquilo que fizeram dele. A sociedade autogerida é
uma forma radicalmente diferente de viver e daí muitos possuem dificuldade
até de pensá-la. As experiências históricas já
mostraram sua possibilidade e algumas de suas características, bem
como a teoria revolucionária produzida por alguns pensadores, inclusive
se baseando em tais experiências. O Manifesto Autogestionário
aborda estas questões, mostrando a dinâmica do capitalismo
e suas contradições, a ameaça da contra-revolução
burocrática, a autogestão das lutas operárias, o papel
dos militantes autogestionários e algumas características
da futura sociedade autogerida. Sendo assim, é uma arma de luta,
que, juntamente com milhares de outras, empunhadas por seres humanos que
querem a libertação humana, deve contribuir para a realização
da autogestão social.
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Texto da contracapa:
A autogestão é a
essência do modo de produção comunista. As relações
de produção comunistas, igualitárias, só podem
existir com base na autogestão do processo de produção
e distribuição e sua generalização da autogestão
para o conjunto das relações sociais, abolindo o Estado, o
capital, o mercado, a divisão social do trabalho. A autogestão
social generalizada significa uma transformação radical, mais
drástica do que significou a passagem do feudalismo para o capitalismo,
ou do escravismo para o feudalismo, pois significa a passagem de uma sociedade
de classes para uma sociedade sem classes. O Manifesto Autogestionário
é um grito de guerra em defesa desta transformação,
e, como todo manifesto, é uma arma de luta que não pode poupar
nada. Daí a crítica da sociedade burguesa, do capital, do
Estado, da burocracia, do pseudomarxismo e diversas tendências políticas
existentes. Além da negação, há também
a afirmação, de novas relações sociais, fundadas
na autogestão social. E a autogestão só pode ocorrer
através da autogestão das lutas operárias pelo proletariado.
Através da burocracia, da alienação, da escravidão,
só se reproduz a burocracia, a alienação e a escravidão.
Somente através da autogestão das lutas sociais se pode chegar
à autogestão social.
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